sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Galeria dos Mártires - Massacre de El Mozote

MASSACRE DE EL MOZOTE
Mártires e Santos Inocentes
EL SALVADOR * 12/12/1981

Massacre de El Mozote, centenas de camponeses salvadorenhos brutalmente mortos. Rufina é uma camponesa que vê metralhar e depois decapitado seu marido e todos os homens da cidade. Testemunhando as fileiras de mulheres apertando firmemente seus filhos contra elas, enquanto se aguarda a morte. Que ouve o clamor dos filhos enquanto eles são apunhalados e enforcados. Entre eles estão crianças de nove, seis e três anos e até criança de oito meses, em que os soldados arrancam de seus braços.

Este massacre aconteceu no dia 12 de dezembro de 1981 em El Mozote, Departamento de Morazán, quando o batalhão Atlacatl entra na aldeia com ordens de matar todo mundo. Quando ao acontecido, Rufina se põe ao chão e reza: “Eu pedi a Deus para me libertar se tivesse que me libertar, e se não, para me perdoar”. E enquanto rezava o Pai Nosso foi se escondendo atrás de alguns galhos. Imóvel. Paralisada. Prendendo a respiração. Sufocando as lágrimas. De lá, ouvindo os gritos penetrantes de mulheres. Depois os gritos das crianças. Reconhece a voz de seus filhos, chamando. Quando pára os gritos e soluços, sobe a grande fogueira. Primeiro na igreja, onde mataram os homens. Depois na casa de Israel Marquez, onde eles haviam colocado as mulheres. “Não deixe nada sem queimar” ouviu Rufina. As chamas voam sobre ela, e os soldados. Os bezerros e cães fogem aterrorizados. E foge também Rufina. Assim, ela pode enterrar o rosto e as lágrimas para não descobri-la. Depois corre sem parar.

Chega a Jocote Amarelo e ali permanece durante todo o dia. Caminha de noite, sem encontrar gente e nem abrigo. “Devido à dor dos meus filhos, a dor de tudo o que tinha acontecido, não me dava fome, não me dava sede, não sentia nada. Ali fiquei sete dias, quando pude encontrar pessoas e sair do exílio, e regressar a este tempo de 1990”, diz Rufina. 

Graças a seu testemunho se pode reconstruir o massacre de 1.200 camponeses, na sua maioria idosos, mulheres e crianças.

El Mozote é "terra arrasada", e tornou-se terra dos mártires e santos inocentes salvadorenhos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/







Nenhum comentário:

Postar um comentário