quarta-feira, 13 de junho de 2018

Galeria dos Mártires - Frei Cosme Spessoto

Frei COSME SPESSOTO
Mártir da Caridade
EL SALVADOR * 14/06/1980

Frei Cosme Spessoto, italiano, sacerdote franciscano de 57 anos. “O vinhateiro de San Juan Nonualco”, como era chamado por sua obstinação em tratar de cultivar a vinha do Senhor e de conseguir esse intento.

Pároco durante 27 anos e vigário episcopal da diocese de San Vicente, foi assassinado por quatro indivíduos bem armados que entraram na igreja e dispararam contra ele enquanto rezava.

Mártir da caridade, desenvolveu durante sua vida uma incansável atividade missionária. Sua intenção foi ser “instrumento de paz” entre seus paroquianos por fim a violência.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Pe. Mauricio Silva

Pe. MAURICIO SILVA
Mártir dos Pobres
ARGENTINA * 14/06/1977

Mauricio Silva, Membro da Fraternidade de Irmãozinhos do Evangelho e gari das ruas de Buenos Aires. Sequestrado quando se apresentava para trabalhar como todos os dias.

Depois, a casa da comunidade foi invadida pelo exército à procura de “provas subversivas” e sua ficha de empregado municipal, retirada.

Mauricio nasceu em Montevidéu e foi ordenado sacerdote salesiano em 1951. A partir daí trabalhou como missionário na Patagônia argentina. De volta a Montevidéu desempenhou intensa atividade pastoral.

Aos 45 anos sentiu-se fortemente atraído pela espiritualidade de Foucauld e ingressou na Fraternidade de Buenos Aires. Depois do noviciado trabalhou entre os “cirujas”* nas lixeiras de Rosário. Volta a Buenos Aires para prestar testemunho entre os varredores de ruas. Quando um de seus antigos amigos o descobre, Maurício saúda, sorri e continua silencioso, atrás de sua vassoura, tornando realidade o que escrevera em um de seus poemas: “Quando amar é um sulco humilde e obscuro que reclama o grão para ser fecundo e morrer na solidão, eu sei que tu estás, Senhor”.

Onde está agora Mauricio carregando o seu Senhor? “Esta pessoa não existe na Argentina”, respondem as autoridades invariavelmente, apesar dos pedidos internacionais e até do próprio Papa Paulo VI.

* Cirujas: pessoas miseráveis que procuram entre o lixo alimentos, roupas e objetos diversos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Novo Massacre de Sumpul

NOVO MASSACRE DE SUMPUL
Mártires da Resistência
EL SALVADOR * 12/06/1982

Novo massacre de Sumpul, mais de 300 agricultores, a maioria mulheres, crianças e idosos, foram assassinados ao tentar chegar à fronteira de Honduras. Depois dos combates com a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, FMLN, tropas especializadas de El Salvador e Honduras, com assessores norte-americanos, ataque durante 15 dias a população civil de Cabañas e Chalatenango.

Em 29 de maio, mais de 700 camponeses indefesos de Los Amates e Santa Anita começou um desesperado êxodo em massa, em direção à fronteira. Eles tentam se esconder nas colinas e vales, comendo ervas e raízes. Soldados os perseguiam, metralhando, matando de qualquer maneira aqueles que conseguem alcançar a fronteira. Chegaram no Rio Sumpul, exaustos, alguns feridos, aterrorizados, os agricultores tentaram atravessa-lo. As crianças e os idosos não puderam resistir à força da água e se afogar. Como em 1980, o Rio Sumpul novamente é manchado de sangue inocente.

Hondurenho que atinjam ao outro lado são resgatados por observadores internacionais, que enfrentam duramente aos oficiais e soldados. Eles conseguem levá-los para o campo de refugiados em Mesa Grande. 163 agricultores se encontravam exaustos, dilacerados pela dor. Como um casal que, depois de perder um filho, corre para se refugiar em uma casa; quando se aproximam da casa, ouvem gritos de mulheres e crianças que estão sendo queimados vivos dento dela. Ou a mãe que chega a Mesa Grande totalmente muda, pois perdeu seis filhos pequenos. Todos testemunharam cenas sangrentas, horríveis. Alguns morrem logo ao chegar ao outro lado do rio. Só tiveram tempo de pedir que resgatassem aos companheiros espalhados nas montanhas. Eles viveram e deram a vida por lutar pela paz.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página http://servicioskoinonia.org/martirologio/ 

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Galeria dos Mártires - Joaquim das Neves Norte

JOAQUIM DAS NEVES NORTE
Mártir da Terra
NAVIRAÍ-MS *12/06/1981

Joaquim das Neves Norte, advogado, 40 anos, pai de 4 filhos, assessor do Sindicato Rurais de Naviraí-MS, colaborador da CPT-MS, assassinado a mando do fazendeiro Adolfo Sanches Neto, no dia 12 de junho de 1981.

Abaixo, poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Cumpro o apanágio das ausências
E o teu nome, das neves do norte
Chega impossível, improvável, inflamado.

Algo como um relatório inteiro de mortes,
Um esbulho, uma condenação, uma ilegalidade.

Não por existir, te condenam, mas por não desapareceres,
Por não conseguirem derrotar
Os sangues que ao teu sangue se juntam.
Pelas águas mal-dormidas que fazes correr
Rente aos leitos encurvados das noites do medo
Pelas palavras dos que acreditam nos sonhas
Que crescem no meio das sementes.
Esses que agora se juntam para dizer:

"Se vê, se sente, Joaquim está presente!"

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Norman Pérez Bello

NORMAN PÉREZ BELLO
Militante, mártir da fé e da opção pelos pobres
BOGOTÁ * 10/06/1992

Norman Pérez Bello nasceu em 29 de junho de 1967 em Sogamoso, Boyaca. Ele fez seus primeiros estudos em estabelecimentos públicos. Se graduou no Instituto Integrado Joaquín González Camargo, de Sogamoso, em 1986. Desde ainda jovem demostrava uma forte inclinação para a ação social e política. Primeiro, ele fez parte da Associação Estudantil Sogamoseña (ASES).

Logo se integrou ao movimento juvenil Kigüe-Yacta (Terra de irmãos) cuja sede foi invadida e Norman e outros colegas foram presos. Depois de 15 dias eles foram libertados. Em Junho de 1988 entrou para a Universidade Nacional para estudar psicologia, enquanto trabalhava para se sustentar. Ao final de 89 se vincula ao trabalho pastoral da paróquia de San Bernardino em Bosa, no Bairro José Antonio Galán, e neste compromisso pastoral continuou até o fim de sua vida.

Desde janeiro de 1990, passou a viver em Bosa, junto com outros companheiros, dedicado a estudar Ciências Sociais na Universidade Distrital e a animar diferentes grupos de pastoral. Em 05 de junho de 1992 ele participou da Assembleia Regional das Comunidades Eclesiais de Base, CEB’s. Lá, foi eleito para fazer parte da delegação de Bogotá que participaria da Assembleia Nacional a ser realizada no final do mês em Cali.

No dia 10 do mesmo mês, em torno das 4 da tarde, quatro balas assassinas ceifaram sua vida nas ruas de Bogotá. No dia seguinte a notícia de seu martírio foi noticiada. O povo de Bosa maciçamente participou de uma missa em sua memória realizada na igreja paroquial às 21:00. Não foi possível trazer seus restos mortais para Bosa, porque seus parentes havia naquela noite levados seu corpo martirizado para Sogamoso. Porém, isto não foi um obstáculo para seus numerosos amigos prestarem homenagem a este lutador da justiça, eles fretaram um ônibus e foram para acompanhá-lo com canções e orações em seu lugar de descanso final. Assim puderam demostrar o enorme carinho que tinham por Norman. Seus parentes ficaram espantados ao ver que “o curto caminho trilhado por Norman era tão profundo, deixando um rastro de amor, fraternidade e compromisso com a sociedade”. (Carta dos familiares aos amigos de Bosa).

A frase que mais se ouvia durante o velório e o funeral era: “Norman não está morto. Ele continua a acompanhar-nos e nós vamos continuar seu trabalho”.

Foi criado o Comitê de Direitos Humanos Norman Pérez Bello em 1996, para que sua memória continue viva e nos faça seguir assumindo suas causas, sem medo de denunciar tantas torturas de milhares de militantes pela vida. "Queremos que se reconheçam a verdade, para que nunca se repita a história de dor, de desaparecimento e tortura. Seguimos com a memória e a esperança".

Abaixo trecho de carta escrito por Norman a seus amigos:

(...) “Como vocês sabem fiz parte do movimento estudantil, a fim de sensibilizar os jovens para a nossa opção pela vida, e alimentar a nossa opção pelos pobres e com os pobres. Com a minha mochila pendurada entre as idas e vindas para organizar em Sogamoso e Bosa um trabalho popular entre as mulheres, crianças, jovens e com alguns sacerdotes que como nós, compreendem o significado de viver a fé na luta com os pobres, este compromisso que posteriormente fez com que nós nos engajássemos nas comunidades eclesiais de base, onde queríamos experimentar o projeto revolucionário de Jesus.

Hoje como ontem, estamos sendo estigmatizados por vivenciarmos a mística do compromisso de Jesus; amar a justiça e trabalhar com os pobres, como vocês sabem, esses compromissos foram às causas pela qual fiquei preso por 15 dias, mas essa experiência reafirmou o meu compromisso, a escolha do trabalho popular, até o meu último dia em que eu viver e trabalhar no bairro onde vocês estão reunidos hoje; então, eu tenho certeza que não é por acaso que nós compartilhamos os mesmos sonhos e ideais, e, até mesmo se tirarem minha vida precocemente, vocês hoje seguiram com os mesmos sonhos e ideais. Eu convoco a vocês para continuarem com a mesma esperança e força.

... E se alguém quiser se lembrar de mim, que não chore, que feche o punho, leve-me pelas mãos e junta-se com o meu povo em uma única canção". NPB.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na internet e leitura do livro: Aquellas Muertes, de Javier Giraldo Moreno S.J.
             
Amigos fazem memória do seu  martírio

Os pais de Norman
Norman com a mãe

sexta-feira, 8 de junho de 2018

VII CAMINHADA DOS MÁRTIRES DA DIOCESE DE JUNDIAÍ, SERÁ EM SALTO

Vem aí a VII Caminhada dos Mártires da Diocese de Jundiaí. Será em Salto, nas Comunidades São Pedro e São Paulo e Salto de São José, Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, no dia 16 de junho, sábado, aniversário da Estância Turística de Salto, com início às 08h.

Você e sua família são especialmente convidados.

Galeria dos Mártires - Pe. Juan Morán

Pe. JUAN MORÁN
Mártir em defesa dos índios mazahuas
MÉXICO * 09/06/1979

Juan Morán, padre mexicano entre os índios mazahuas em San Pedro el Alto. Morto a tiro na estrada, ao tentar ajudar algumas mulheres que eram levadas em uma van por alguns indivíduos, que simplesmente se acercou para pedir explicações.

Sua vida foi de total entrega aos mazahuas, para promovê-los em todos os sentidos. E por promover a justiça ele era acusado de ser ativo revolucionário e fazer política partidária.

Por ocasião de seu martírio, mais de 300 indígenas de 5 comunidades ficaram quatro dias sentado na frente do palácio do governo em Toluca, capital do Estado, exigindo esclarecimentos por parte do governo da morte do Pe. Juan e também punição para os culpados.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.