segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Galeria dos Mártires - Pe. José Reinel Restrepo

Pe. JOSÉ REINEL RESTREPO
Mártir do Povo Colombiano
COLÔMBIA * 01/09/2011

Memória de 7 anos de seu martírio.

Padre José Reinel Restrepo, sacerdote de 36 anos, pároco de Marmato, no departamento de Caldas, na Colômbia.

Ele foi assassinado com dois tiros nas costas e encontrado sem documentos. 

Segundo informações não confirmada, ele foi assassinado numa tentativa de assalto, porém, dias antes ele havia feito um vídeo denunciando a exploração e a tentativa de remoção dos moradores para a construção da mineradora a céu aberto pelo grupo canadense.

Lutando vigorosamente contra uma gigantesca empresa mineradora canadense, que planejava fazer a transferência dos moradores de sua paróquia e da cidade. Padre Restrepo tinha levado suas lutas para reunião em Bogotá com funcionários do governo tentando impedir um deslocamento extraordinário de cerca de 10.000 pessoas. A mineradora pretendia remover a cidade, a fim de operar uma nova mina de ouro a céu aberto.

Padre Restrepo não só trabalhou para proteger seus paroquianos em lidar com o governo, mas ele também falou no YouTube. Sua entrevista foi postada com legendas em inglês em 28 de agosto e em 01 de setembro, ele foi morto a tiros.

Esta é verdadeiramente uma situação angustiante. Outro jovem sacerdote foi assassinado alguns meses antes em uma área de mineração das Filipinas, exatamente como Restrepo, por denunciar uma empresa de mineração que estava indo para mover toda a sua cidade.

Que Deus continue a fortalecer os corajosos líderes da Igreja, bispos, padres, freiras e leigos, em seus esforços heróicos para defender seu povo.

https://www.youtube.com/watch?v=FuEboyypwV4

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Jesús Jiménez

JESÚS JIMÉNEZ
Mártir da Caridade e da Justiça
EL SALVADOR * 01/09/1979

Jesús Jiménez, “Chus”, camponês de 32 anos e pai de 4 filhos pequenos, delegado da Palavra, coordenador das comunidades em Aguilares.

Mártir da caridade e da justiça.

Assassinado no dia 01 de setembro de 1979 às 3 horas da tarde pela Guarda Nacional.

Com os pés e as mãos atadas como um animal, foi atirado no corredor da paróquia de El Paisnal, de onde a mesma Guarda Nacional impediu que qualquer pessoa se aproximasse.

Pela noite, seu corpo foi recolhido piedosamente por sua esposa e outras mulheres, para ser velado pela comunidade.

O Padre Rutilio Grande despertou em “Chus” um profundo amor ao Senhor e aos irmãos, e em 1973 o designou delegado da Palavra. Desde então já não vivia para si, mas para os outros: “Se existe um enfermo, não se importa de andar debaixo de sol ou chuva para leva-lo até a clínica paroquial”, diziam os camponeses.

Por causa da perseguição desencadeada em 1977, que teve como consequência o martírio do Pe. Rutilio Grande, Manuel Solórzano e Nelson Rutilio Lemus e diante das contínuas ameaças de morte, “Chus” não dormia mais em sua casa, havia já dois anos. 

Muitas vezes, para visitar e animar as comunidades decaídas e amedrontadas, andava mais de duas horas e dormia nos montes. “Cada vez que haja necessidade virei e farei o que tenho de fazer, que é evangelizar; de toda maneira, é preciso estar decidido e eu já me decidi: se me matarem, que me matem pelo Evangelho. Cristo foi o primeiro e temos que segui-lo”, dizia a seus irmãos que temiam por sua vida.

“Chus”, amigo, irmão, apóstolo, como seu mestre Jesus, morreu numa sexta-feira, por causa da Boa-Nova e foi enterrado às escondidas, mas segue também ressuscitando nas lutas de seu povo.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo, Ed, Vozes.

Galeria dos Mártires - Inés Adriana Cobo

INÉS ADRIANA COBO
Mártir da Causa dos Pobres
ARGENTINA * 01/09/1976

Inés Adriana Cobo, que também tinha os apelidos de “Conejo”, “Inés”, “María”, “Juanita”, “Mafalda”; o último a ser utilizado por sua família. 

Nascida em 31 de dezembro de 1953 em Buenos Aires. Magra, estatura média, cabelos castanhos, olhos castanhos, muito bonita. Um pouco tímida, simplesmente vestida e não usava maquiagem. Se afligia quando via as crianças sofrerem com a pobreza, a fome e a marginalização.

Era integrante da Igreja Metodista. Companheira militante peronista da unidade básica “Pátria Grande” da Capital. Sequestrada-desaparecida pela última ditadura cívico-militar entreguista, em 1 de Setembro de 1976, às 13 horas em plena via pública, ao sair do trabalho no Bairro Norte, onde trabalhou como jornalista, tinha na ocasião 22 anos.

Um dossiê das “Avós da Praça de Maio”, diz que ela estava grávida de um mês. Ela foi levada para a Escola de Mecânica da Marinha (ESMA). Lisandro Raul Cubas, que sobreviveu ao inferno, disse que, em uma conversa que teve com outro sobrevivente do lugar - Miguel Angel Lauletta, - ele relatou que esteve com Inés Adriana Cobo varrendo o chão da área chamada de “capucha” e que passou pelo lugar o Almirante Chamorro e disse que “esse lixo também deve varrer”.

Uma semana depois foi “transferida” para o centro de detenção clandestino “Club Atletico” e assassinada.

Atualmente, na Escola Normal Superior N°. 9 (Domingo Faustino Sarmiento) uma placa homenageia a Inés Cobo que foi professora nesta escola.

Um lembrete sobre ela e seu namorado em um jornal de Buenos Aires em 2010, diz assim: “Se amaram assim como amaram a justiça e o país onde nasceram. Aqui não mais estão, mas representaram sempre, junto aos 30 mil detidos-desaparecidos, o melhor de uma geração. Julgamento e punição aos genocidas que desapareceram com suas vidas”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Julio Spósito

JULIO SPÓSITO
Mártir da Causa dos Pobres
URUGUAI * 01/09/1971

Julio Spósito, estudante e militante cristão de 19 anos.

Mártir das lutas de seu povo. Foi assassinado no dia 01 de setembro de 1971 pela policia enquanto participava de uma marcha pacífica em Montevidéu para pedir o aparecimento com vida de dois dirigentes sequestrados pelo esquadrão da Morte. Ele foi brutalmente espancado e ferido a bala, chegou sem vida ao hospital.

Julio, membro ativo da Juventude Estudantil Católica (JEC), foi educador de crianças e adolescente deste movimento.

Participou dos Grupos de Reflexão de sua paróquia de Pocitos e, em sua opção politica, foi integrante da Frente Estudantil Revolucionária (FER). 

Foi velado em sua paróquia e as frases escritas nos muros da Igreja atestavam a dor e o sentido que seus companheiros deram à sua morte. Uma “vivencia fora do comum”.

A missa foi concelebrada por 20 sacerdotes e por Monsenhor Haroldo Ponce de León. Assim rezou todos os participantes da celebração: “Rogamos-te, Senhor, pelos marginalizados e presos... Pelos acomodados e indiferentes... Pelos que têm medo... Pelos que mataram Julio...”.

Depois, uma multidão de 250.000 pessoas acompanhou Julio, morto e ressuscitado, na manifestação mais impressionante da época.

Por informar e ressaltar “a gravidade dos fatos em que foram protagonistas as forças da ordem”, foram fechados durante 8 dias 3 jornais e 3 semanários.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro: Sangue Pelo Povo, Ed, Vozes.

Galeria dos Mártires - Chacina de Vigário Geral

CHACINA DE VIGÁRIO GERAL
Mártires Inocentes 
RIO DE JANEIRO * 30/08/1993  

A Chacina de Vigário Geral foi um massacre ocorrido na favela de Vigário Geral, localizada na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. 

Na madrugada do dia 29 de agosto de 1993, a favela foi invadida por um grupo de extermínio formado por de mais de cinquenta homens encapuzados e armados, que arrombaram casas e executaram vinte e um moradores, sendo 13 homens, 6 mulheres e 2 adolescentes. Nenhuma das vítimas possuísse envolvimento com o tráfico de drogas. A chacina de Vigário Geral foi uma das maiores a já ocorrer no Estado do Rio de Janeiro. 

Foram assassinados o estudante Fábio Pinheiro Lau, 17 anos, o metalúrgico Hélio de Souza Santos, 38 anos, Joacir Medeiros, 69 anos, o enfermeiro Guaracy Rodrigues, 33 anos, o serralheiro José dos Santos,47, Paulo Roberto Ferreira, 44, motorista, o ferroviário Adalberto de Souza, 40, o metalúrgico Cláudio Feliciano, 28, Paulo César Soares,35, o gráfico Cléber Alves, 23, Clodoaldo Pereira, 21, Amarildo Baiense,31, o mecânico Edmilson Costa,23 , o vigia Gilberto Cardoso dos Santos, 61, o casal Luciano e Lucinéia, 24 e 23. Em seguida executaram Dona Jane, 58, sua nora, Rúbia, 18, o marido e a filha Lúcia, 33. Lá, morreram também, Luciene, prestes a completar 16 anos e Lucinete, 27. As crianças, com idades entre 9 e 5 anos, conseguiram fugir, pulando para a rua de uma altura de dois metros. Uma delas saltou com uma criança de seis meses no colo.

Segundo relatos, a chacina teve sua origem na morte de quatro Policiais Militares no dia 28 de agosto de 1993 na Praça Catolé do Rocha, no bairro de Vigário Geral. No dia anterior, policiais que haviam matado o irmão de Flávio Pires da Silva, 23, conhecido como "Flávio Negão" — chefe do tráfico na favela — foram até o principal ponto de venda de drogas da comunidade para pegar o dinheiro da propina, paga para aliviar a repressão. Chegando à Praça Catolé da Rocha, a viatura foi surpreendida por um cerco de Flávio Negão e seus comparsas, que executaram os quatro PMs que estavam nela. Como vingança, no dia seguinte aconteceu a chacina.

Foi a maior chacina registrada na história da polícia fluminense. Dos 52 PMs denunciados pelo Ministério Público, apenas sete foram condenados, e dentre eles somente Paulo Roberto Alvarenga e José Fernandes Neto foram levados a júri popular. Em 27 de abril de 1997, Alvarenga foi condenado a 449 anos e oito meses, mas teve a sua pena reduzida para 57 anos pelo Supremo Tribunal Federal. Como a pena foi superior a 20 anos, ele protestou por novo júri. Em 20 de setembro de 2000, José Fernandes Neto foi condenado a 45 anos e, como Alvarenga, recorreu da sentença. A Chacina do Vigário Geral alcançou repercussão internacional. 

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Galeria dos Mártires - Sebastião Rosa da Paz

SEBASTIÃO ROSA DA PAZ
Líder Sindical e Cantador do Povo
URUAÇU – GO * 29/08/1984

Sebastião Rosa da Paz, conhecido entre os militante como Tião da Paz,  nasceu em 1º de outubro de 1937, no Município de Catalão - Goiás, filho de Alarico Policeno Rosa e de Maria da Paz dos Santos. Alguns anos mais tarde, na década de 40, mudou-se para a Colônia Agrícola de Goiás, instalando-se no Córrego Ramalho, próximo ao povoados de Quebra-coco e de Bom Jesus, hoje, distritos de Ipiranga de Goiás.

Pai exemplar, amante carinhoso de sua família de 8 filhos, batalhador incansável na causa dos oprimidos, cristão militante da justiça, Tião da Paz era um homem simples que irradiava alegria com seu jeito e sua sanfona. 

Lavrador sem terra, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uruaçu, GO. Era também animador das CEB’s e sua figura ficou emblemática nas romarias goianas. 

O latifúndio o assassinou sadicamente no dia 29 de Agosto de 1984, na própria casa, diante da esposa e dos filhos. 

Dele cantou o poeta justamente: ”Já não serás apenas “Rosa”, mas uma Primavera inteira convocada”.

Abaixo um poema do livro: Raízes, Memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

SEBASTIÃO ROSA DA PAZ

Existiu a fonte, límpida, rebentada de uma nuvem.
Existiu a asa, ferida, sinuosa, quando atravessamos o cerrado.
Existiu brancura penetrando os corpos,
Sem nascente para o entendimento.
Uma metáfora de pássaro. Um horizonte desconcertado.
Uma nervura improvável passando sobre as vozes.

Existiu um menino chorando sem pão.
O fogo pelejando na rocha, atordoado,
Esgueirando a melodia sobre os ombros,
Descendo para as fontes.

E existiu o branco: da rosa, da paz, da seiva.
E existiu a cor do silêncio, plantada em oferenda.
Fluindo da água ao fim das temperaturas.

(Não me recolho para a noite
Sem na mão tua rosa, Tião, íntima das sombras.
De noite tenho mais medo dos precipícios...)

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Galeria dos Mártires - Pe. Jean-Marie Vicent

Pe. JEAN-MARIE VICENT
Missionário Profeta do Povo Haitiano 
HAITI * 28/08/1994  

Pe. Jean-Marie Vicent, "Janboul”, como era conhecido, sacerdote monfortino “sedento de justiça”, amigo colaborador de Aristide, desempenhou um papel importante nos últimos anos do Povo e da Igreja haitianos: na formação das primeiras comunidades de base, ao lado dos camponeses, em campanhas de alfabetização, nas lutas contra a ditadura de Duvalier e suas  sequelas, como diretor de Caritas, no desenvolvimento do setor informal da economia, como fundador ou co-fundador de entidades sociais populares, entre elas o Movimento “Têtes Ensemble” (cabeças juntas). 

Sempre conjugando a atividade especificamente pastoral com os múltiplos aspectos da promoção humana, obstinado evangelicamente por devolver aos pobres sua dignidade e liberdade de filhos de Deus.

https://www.youtube.com/watch?v=uGWT80vbH9A

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.
a partir da Galeria dos Mártires no Santuário de Ribeirão Cascalheira-MT.