quarta-feira, 13 de junho de 2018

Galeria dos Mártires - Frei Cosme Spessoto

Frei COSME SPESSOTO
Mártir da Caridade
EL SALVADOR * 14/06/1980

Frei Cosme Spessoto, italiano, sacerdote franciscano de 57 anos. “O vinhateiro de San Juan Nonualco”, como era chamado por sua obstinação em tratar de cultivar a vinha do Senhor e de conseguir esse intento.

Pároco durante 27 anos e vigário episcopal da diocese de San Vicente, foi assassinado por quatro indivíduos bem armados que entraram na igreja e dispararam contra ele enquanto rezava.

Mártir da caridade, desenvolveu durante sua vida uma incansável atividade missionária. Sua intenção foi ser “instrumento de paz” entre seus paroquianos por fim a violência.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Pe. Mauricio Silva

Pe. MAURICIO SILVA
Mártir dos Pobres
ARGENTINA * 14/06/1977

Mauricio Silva, Membro da Fraternidade de Irmãozinhos do Evangelho e gari das ruas de Buenos Aires. Sequestrado quando se apresentava para trabalhar como todos os dias.

Depois, a casa da comunidade foi invadida pelo exército à procura de “provas subversivas” e sua ficha de empregado municipal, retirada.

Mauricio nasceu em Montevidéu e foi ordenado sacerdote salesiano em 1951. A partir daí trabalhou como missionário na Patagônia argentina. De volta a Montevidéu desempenhou intensa atividade pastoral.

Aos 45 anos sentiu-se fortemente atraído pela espiritualidade de Foucauld e ingressou na Fraternidade de Buenos Aires. Depois do noviciado trabalhou entre os “cirujas”* nas lixeiras de Rosário. Volta a Buenos Aires para prestar testemunho entre os varredores de ruas. Quando um de seus antigos amigos o descobre, Maurício saúda, sorri e continua silencioso, atrás de sua vassoura, tornando realidade o que escrevera em um de seus poemas: “Quando amar é um sulco humilde e obscuro que reclama o grão para ser fecundo e morrer na solidão, eu sei que tu estás, Senhor”.

Onde está agora Mauricio carregando o seu Senhor? “Esta pessoa não existe na Argentina”, respondem as autoridades invariavelmente, apesar dos pedidos internacionais e até do próprio Papa Paulo VI.

* Cirujas: pessoas miseráveis que procuram entre o lixo alimentos, roupas e objetos diversos.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir do livro Sangue Pelo Povo.

Galeria dos Mártires - Novo Massacre de Sumpul

NOVO MASSACRE DE SUMPUL
Mártires da Resistência
EL SALVADOR * 12/06/1982

Novo massacre de Sumpul, mais de 300 agricultores, a maioria mulheres, crianças e idosos, foram assassinados ao tentar chegar à fronteira de Honduras. Depois dos combates com a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, FMLN, tropas especializadas de El Salvador e Honduras, com assessores norte-americanos, ataque durante 15 dias a população civil de Cabañas e Chalatenango.

Em 29 de maio, mais de 700 camponeses indefesos de Los Amates e Santa Anita começou um desesperado êxodo em massa, em direção à fronteira. Eles tentam se esconder nas colinas e vales, comendo ervas e raízes. Soldados os perseguiam, metralhando, matando de qualquer maneira aqueles que conseguem alcançar a fronteira. Chegaram no Rio Sumpul, exaustos, alguns feridos, aterrorizados, os agricultores tentaram atravessa-lo. As crianças e os idosos não puderam resistir à força da água e se afogar. Como em 1980, o Rio Sumpul novamente é manchado de sangue inocente.

Hondurenho que atinjam ao outro lado são resgatados por observadores internacionais, que enfrentam duramente aos oficiais e soldados. Eles conseguem levá-los para o campo de refugiados em Mesa Grande. 163 agricultores se encontravam exaustos, dilacerados pela dor. Como um casal que, depois de perder um filho, corre para se refugiar em uma casa; quando se aproximam da casa, ouvem gritos de mulheres e crianças que estão sendo queimados vivos dento dela. Ou a mãe que chega a Mesa Grande totalmente muda, pois perdeu seis filhos pequenos. Todos testemunharam cenas sangrentas, horríveis. Alguns morrem logo ao chegar ao outro lado do rio. Só tiveram tempo de pedir que resgatassem aos companheiros espalhados nas montanhas. Eles viveram e deram a vida por lutar pela paz.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página http://servicioskoinonia.org/martirologio/ 

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Galeria dos Mártires - Joaquim das Neves Norte

JOAQUIM DAS NEVES NORTE
Mártir da Terra
NAVIRAÍ-MS *12/06/1981

Joaquim das Neves Norte, advogado, 40 anos, pai de 4 filhos, assessor do Sindicato Rurais de Naviraí-MS, colaborador da CPT-MS, assassinado a mando do fazendeiro Adolfo Sanches Neto, no dia 12 de junho de 1981.

Abaixo, poema do livro: Raízes, memória dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira.

Cumpro o apanágio das ausências
E o teu nome, das neves do norte
Chega impossível, improvável, inflamado.

Algo como um relatório inteiro de mortes,
Um esbulho, uma condenação, uma ilegalidade.

Não por existir, te condenam, mas por não desapareceres,
Por não conseguirem derrotar
Os sangues que ao teu sangue se juntam.
Pelas águas mal-dormidas que fazes correr
Rente aos leitos encurvados das noites do medo
Pelas palavras dos que acreditam nos sonhas
Que crescem no meio das sementes.
Esses que agora se juntam para dizer:

"Se vê, se sente, Joaquim está presente!"

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Norman Pérez Bello

NORMAN PÉREZ BELLO
Militante, mártir da fé e da opção pelos pobres
BOGOTÁ * 10/06/1992

Norman Pérez Bello nasceu em 29 de junho de 1967 em Sogamoso, Boyaca. Ele fez seus primeiros estudos em estabelecimentos públicos. Se graduou no Instituto Integrado Joaquín González Camargo, de Sogamoso, em 1986. Desde ainda jovem demostrava uma forte inclinação para a ação social e política. Primeiro, ele fez parte da Associação Estudantil Sogamoseña (ASES).

Logo se integrou ao movimento juvenil Kigüe-Yacta (Terra de irmãos) cuja sede foi invadida e Norman e outros colegas foram presos. Depois de 15 dias eles foram libertados. Em Junho de 1988 entrou para a Universidade Nacional para estudar psicologia, enquanto trabalhava para se sustentar. Ao final de 89 se vincula ao trabalho pastoral da paróquia de San Bernardino em Bosa, no Bairro José Antonio Galán, e neste compromisso pastoral continuou até o fim de sua vida.

Desde janeiro de 1990, passou a viver em Bosa, junto com outros companheiros, dedicado a estudar Ciências Sociais na Universidade Distrital e a animar diferentes grupos de pastoral. Em 05 de junho de 1992 ele participou da Assembleia Regional das Comunidades Eclesiais de Base, CEB’s. Lá, foi eleito para fazer parte da delegação de Bogotá que participaria da Assembleia Nacional a ser realizada no final do mês em Cali.

No dia 10 do mesmo mês, em torno das 4 da tarde, quatro balas assassinas ceifaram sua vida nas ruas de Bogotá. No dia seguinte a notícia de seu martírio foi noticiada. O povo de Bosa maciçamente participou de uma missa em sua memória realizada na igreja paroquial às 21:00. Não foi possível trazer seus restos mortais para Bosa, porque seus parentes havia naquela noite levados seu corpo martirizado para Sogamoso. Porém, isto não foi um obstáculo para seus numerosos amigos prestarem homenagem a este lutador da justiça, eles fretaram um ônibus e foram para acompanhá-lo com canções e orações em seu lugar de descanso final. Assim puderam demostrar o enorme carinho que tinham por Norman. Seus parentes ficaram espantados ao ver que “o curto caminho trilhado por Norman era tão profundo, deixando um rastro de amor, fraternidade e compromisso com a sociedade”. (Carta dos familiares aos amigos de Bosa).

A frase que mais se ouvia durante o velório e o funeral era: “Norman não está morto. Ele continua a acompanhar-nos e nós vamos continuar seu trabalho”.

Foi criado o Comitê de Direitos Humanos Norman Pérez Bello em 1996, para que sua memória continue viva e nos faça seguir assumindo suas causas, sem medo de denunciar tantas torturas de milhares de militantes pela vida. "Queremos que se reconheçam a verdade, para que nunca se repita a história de dor, de desaparecimento e tortura. Seguimos com a memória e a esperança".

Abaixo trecho de carta escrito por Norman a seus amigos:

(...) “Como vocês sabem fiz parte do movimento estudantil, a fim de sensibilizar os jovens para a nossa opção pela vida, e alimentar a nossa opção pelos pobres e com os pobres. Com a minha mochila pendurada entre as idas e vindas para organizar em Sogamoso e Bosa um trabalho popular entre as mulheres, crianças, jovens e com alguns sacerdotes que como nós, compreendem o significado de viver a fé na luta com os pobres, este compromisso que posteriormente fez com que nós nos engajássemos nas comunidades eclesiais de base, onde queríamos experimentar o projeto revolucionário de Jesus.

Hoje como ontem, estamos sendo estigmatizados por vivenciarmos a mística do compromisso de Jesus; amar a justiça e trabalhar com os pobres, como vocês sabem, esses compromissos foram às causas pela qual fiquei preso por 15 dias, mas essa experiência reafirmou o meu compromisso, a escolha do trabalho popular, até o meu último dia em que eu viver e trabalhar no bairro onde vocês estão reunidos hoje; então, eu tenho certeza que não é por acaso que nós compartilhamos os mesmos sonhos e ideais, e, até mesmo se tirarem minha vida precocemente, vocês hoje seguiram com os mesmos sonhos e ideais. Eu convoco a vocês para continuarem com a mesma esperança e força.

... E se alguém quiser se lembrar de mim, que não chore, que feche o punho, leve-me pelas mãos e junta-se com o meu povo em uma única canção". NPB.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir de pesquisa na internet e leitura do livro: Aquellas Muertes, de Javier Giraldo Moreno S.J.
             
Amigos fazem memória do seu  martírio

Os pais de Norman
Norman com a mãe

sexta-feira, 8 de junho de 2018

VII CAMINHADA DOS MÁRTIRES DA DIOCESE DE JUNDIAÍ, SERÁ EM SALTO

Vem aí a VII Caminhada dos Mártires da Diocese de Jundiaí. Será em Salto, nas Comunidades São Pedro e São Paulo e Salto de São José, Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, no dia 16 de junho, sábado, aniversário da Estância Turística de Salto, com início às 08h.

Você e sua família são especialmente convidados.

Galeria dos Mártires - Pe. Juan Morán

Pe. JUAN MORÁN
Mártir em defesa dos índios mazahuas
MÉXICO * 09/06/1979

Juan Morán, padre mexicano entre os índios mazahuas em San Pedro el Alto. Morto a tiro na estrada, ao tentar ajudar algumas mulheres que eram levadas em uma van por alguns indivíduos, que simplesmente se acercou para pedir explicações.

Sua vida foi de total entrega aos mazahuas, para promovê-los em todos os sentidos. E por promover a justiça ele era acusado de ser ativo revolucionário e fazer política partidária.

Por ocasião de seu martírio, mais de 300 indígenas de 5 comunidades ficaram quatro dias sentado na frente do palácio do governo em Toluca, capital do Estado, exigindo esclarecimentos por parte do governo da morte do Pe. Juan e também punição para os culpados.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada. 

Galeria dos Mártires - Pe. Héctor Gallego

Pe. HÉCTOR GALLEGO
Mártir a serviço dos camponeses
PANAMÁ * 09/06/1971

Héctor Gallego, sacerdote colombiano de 33 anos, mártir a serviço das comunidades camponesas de Santa Fé, em Veráguas, Panamá.

Chegou ao Panamá da Colômbia em 1967, em um momento crucial na vida da Igreja universal (Vaticano II) e, especialmente, da América Latina (Medellin). 

Trabalhou nas áreas de Santa Fé de Veraguas, lutando contra as injustiças e abusos dos fazendeiros, organizando os agricultores em cooperativas, levando a Palavra de Deus a todas as comunidades, denunciando nos meios de comunicação as situações injustas em que o povo panamenho vivia.

Foi pioneiro na promoção da CEB’s, na leitura popular da Bíblia, nos cursos de conscientização, no estímulo a organização popular. 

Ele começou a se tornar um incômodo para os ricos proprietários de terra. Uma noite, enquanto estava na casa de um dos agricultores com quem trabalhava, alguns soldados vieram em um jipe ​​e pediu para que Pe. Hector fosse até o quartel. Ele disse que iria dormir, pois estava cansado, e que na manhã seguinte iria ao quartel com seus próprios pés. Os soldados insistiram, então Héctor entrou na casa e tranquilizou o amigo camponês e sua família com um sorriso, e os acompanhou. Desde aquela noite não foi mais visto, alguns dizem que ele foi morto naquela noite. 

Afirmava um padre amigo seu, este homem tem vivido o Evangelho até as últimas conseqüências”. Maria Lopes Vigil, publicou um livro comovente dedicado ao jovem mártir de vida fecundíssima: “Héctor Gallego está vivo!”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada. 

Galeria dos Mártires - Irmã Filomena Lopes Filha

Ir. FILOMENA LOPES FILHA
Mártir da Favela
NOVA IGUAÇU, RJ, * 07/06/1990

“VOCAÇÃO É VIVER, TORNANDO A VIDA MAIS BELA”

Irmã Maria Filomena Lopes Filha, que no final da década de oitenta, integrou a missão em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, na congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria, de Bonlanden, que estava presente ali desde 1935. Nessa cidade da Baixada Fluminense, a “Irmã Filó”, como era carinhosamente chamada por suas colegas na Congregação, atuou com dedicado esmero no apoio às famílias carentes e na educação da juventude. Irmã Filomena nasceu no dia 26 de maio de 1946, em São Miguel do Anta, Mina Geral. Filha do Senhor José Teixeira Lopes e Dona Filomena Lopes, de família numerosa e ardente fervor religioso. Seu terceiro irmão, José Lopes, tornou-se, também, religioso consagrado e padre, na Congregação dos Sacramentinos.

Desde cedo “Filó” alimentava o desejo de se tornar Religiosa Consagrada Franciscana. Não demorou muito e encontrou o seu ninho nas Franciscanas de Bonlanden. Após passar pelas etapas iniciais da formação, a Irmã passou a integrar a comunidade educativa do Instituto de Educação Santo Antonio – IESA.

Em 1986, devido às inúmeras intempéries por que passavam as famílias ribeirinhas, sofridas por constantes chuvas, enchentes e falta de saneamento básico, a Irmã Filomena decidiu colocar a mão na massa ou seria no arado?

Com o objetivo de remover o povo sofrido daquela área de risco, o projeto resistiu por frutuosos cinco anos. Pela inquietação que origina no batismo, pela consciência e fé cristã, o sofrimento daquele povo deveria ser visto e seu grito aflito, ouvido. Motivada pela Campanha da Fraternidade que teve como tema: Terra de Deus, Terra de irmãos, a equipe educativa do IESA, sob sua coordenação, iniciou o projeto de construção de casas populares, em regime de mutirão. Em consonância com nossa missão, as Irmãs e a equipe educativa apostaram no intercâmbio pedagógico entre um grupo de educadores, pais e alunos do Curso Técnico em Eletromecânica e os moradores.

No dizer de São Francisco de Assis, “guiada pelo espírito do Senhor e seu santo modo de operar”, de corpo e alma, a Irmã Filó coordenou o projeto, organizou os grupos de trabalho, supriu com material e supervisionou as obras concretizadas em número e qualidade de vida: famílias mais felizes, habitadas em cento e quarenta e quatro casas, assistidas por uma creche e um posto de saúde. Mas nesse meio, não poderia faltar o templo de Deus e de seu povo. Por isso, um salão e uma Igreja.

Em carta escrita para seus familiares, com data de 07/06/90, Ir. Filomena, afirmou -“vocação é viver, tornando a vida mais bela”. Estas foram suas últimas palavras escritas e que não chegaram a ser enviadas. À tarde desse mesmo dia, Irmã Filó foi ao mutirão levar cimento e havia dito às Irmãs de sua fraternidade: “voltarei as 17horas e 30min. para missa”. Mas não voltou. Junto ao sacrifício de Cristo, deu-se o seu sacrifício. Foi sequestrada, assassinada e deixada em abandono, até que no dia seguinte seu corpo foi encontrado.
Pelo crime impune, pela perda da “Apóstola da Baixada”, o povo da favela ficara novamente órfão.

Texto recolhido do blog: 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Galeria dos Mártires - Agustín Ramírez e Javier Sotelo

AGUSTÍN RAMÍREZ e JAVIER SOTELO
Mártires dos Marginalizados
ARGENTINA * 05/06/1988

Memória dos 30 anos do martírio

Agustín Ramírez, 22 anos e Javier Sotelo, 19 anos. Trabalhadores mártires da luta dos marginalizados na Grande Buenos Aires, Argentina.

Eles viviam em um assentamento em San Francisco Solano, zona marginal da Grande Buenos Aires. Operários e militantes cristãos, preocupados com a situação social dos seus irmãos e especialmente os jovens. Assassinados na noite de 05 de junho de 1988. Seus corpos foram crivados com poucas, porém certeiras balas de 9 milímetros, que os fez caíram um ao lado do outro martirizados.

Um amigo que descobre o assassinato de Agustín e Javier é sequestrado, brutalmente torturado e jogado em um campo para que cesse com sua denúncia. A polícia afirma que o crime é devido a um acerto de contas entre gangues rivais. Em vez disso, vizinhos, amigos e familiares acusam a própria polícia como responsáveis ​​pelo assassinato. O novo chefe da polícia, inspetor Laborde, acabara de ser movido de Budge, onde policiais que estavam em sua responsabilidade mataram cruelmente três meninos, na rua e em frente de testemunhas. Quinze dias antes da morte de Agustín e Javier, uma comissão policial de seis homens armados, procuraram Agustían, interrogaram vizinhos e deixaram uma mensagem clara para ele: “Diga-lhe que suma, ou vai morrer”.

Qual é o crime de Agustín para receber tal ameaça? 

Sua mãe conta que, na adolescência, ele lia a Bíblia diariamente e queria ser um cristão, de fato. Sensível à dor dos mais fracos, trazia para casa pessoas carentes da rua: crianças, idosos, mães com crianças. Sua mãe lhe fazia ver que eles são tão pobres quanto os convidados. Em silêncio, Agustín, dava sua cama e dorme no chão. Aos 16 anos ele decidiu que queria ser um sacerdote e executou todos os procedimentos para a admissão ao Seminário. Admitido, disse à sua mãe: “Mãe, eu vou perder tempo com muitos anos de estudo para melhor trabalhar no bairro”.

Integrou a Comissão dos “sem-teto”; participou de uma manifestação em Villa Calzada, que foi violentamente reprimidos pela polícia e várias pessoas ficaram feridas. Agustín estava entre os que fizeram uma denuncia deste ato covarde dos policiais contra os manifestantes. E por esta denuncia é que se dá sua sentença de morte.

Também é conhecido por ser um membro entusiasta da Equipe Social, que publica a revista “Latinoamérica Gaucha”, da qual ele é diretor. Seu objetivo era informar sobre as tarefas do bairro, os benefícios da organização, orientar os jovens a evitar as drogas e convidá-los a se divertir saudavelmente em clubes e festivais que são feitas no bairro.

Na sua morte, um menino disse: “Eu creio que Agustín passou o mesmo que passou Jesus...”. Seis mil pessoas de Solano e outros bairros participaram da Missa por Agustín e Javier. Os trabalhadores, militantes cristãos, sacerdotes carregam sobre os seus ombros os caixões ao longo de seis quilômetros até o cemitério. Uma marcha pela vida, presidida pelo Bispo de Quilmes, Jorge Novak, repetindo os versos do hino de Luther King: “Não temos medo ... vamos vencer ... a paz virá”.


Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

Galeria dos Mártires - Pe. José María Gran Cirera e Domingo Barrio Batz

Pe.  JOSÉ MARÍA GRAN CIRERA e DOMINGO BARRIO BATZ
Mártires em El Quiché
GUATEMALA * 04/06/1980

Memória dos 38 anos do martírio

José María Gran Cirera, nascido em Canet de Mar, Barcelona, 27 de abril de 1945. Ele fez sua profissão religiosa no dia 8 de setembro de 1966. Foi ordenado sacerdote em Valladolid em 09 de junho de 1972; três anos depois, foi trabalhar como missionário na Diocese de Quiché, Guatemala.

Assassinado juntamente com Domingo Barrio Batz em 04 de junho de 1980, perto da aldeia Xe Ixoq Vitz em Chajul.

Seus cinco anos de serviço missionário no Quiché foram nas paróquias de Santa Cruz e San Gaspar Chajul Zacualpa. Sempre alegre e disposto a vivenciar com o povo o Deus vivo e presente na comunidade. Sendo um homem sensível e de coração inquieto, logo se identificou com o povo simples destas comunidades.

O trabalho pastoral o obrigava a fazer longas viagens missionárias para estar presente em cada uma das comunidades da paróquia. Ele descobria a presença de Deus em pessoas que sofria as muitas carências. Ficava cada vez mais claro o sentido da missão e seu compromisso evangélico com os pobres e perseguidos.

Domingo Batz
Ele era muito consciente da instabilidade política que estava por vir sobre o povo desassistido pelas políticas de desenvolvimento oficiais. Naquela época, ele escreveu: "Há mais soldados do que antes em Chajul, e por causa de certos rumores que correm entre as pessoas, nós preferimos não deixar a cidade por vários dias, pois, com tantos soldados nas ruas, as pessoas não estão tranquilas e a presença do padre, mesmo que pouco possa fazer, sempre dá um pouco de tranquilidade”.

Seu serviço pastoral foi feito especialmente nas comunidades mais remotas. Um fato ecoou fortemente em Quiché: o incêndio na Embaixada de Espanha, onde 39 pessoas foram mortas, a maioria eram camponeses, e alguns eram catequistas. Este fato chocou a população. E o então bispo, Dom Juan Gerardi, sacerdotes e religiosos corajosamente denunciou em um comunicado: "a situação de violência extrema, agravada pela ocupação militar do Norte...”.

Logo após o ocorrido, o comandante militar disse a população que o Pe. José María e os outros padres e freiras eram responsáveis pelo que eles estavam passando no norte de El Quiché e advertiu ao Pe. José María que ele era um estrangeiro e enfrentaria as consequências.

A partir de então começaram as ameaças diretas contra os sacerdotes e catequistas.

Dias depois o Pe. José María precisou seguir em viagem missionária até Chel, distante do povoado, e lá realizou celebrações e atendeu ao povo como acostumava a fazer. Neste povoado ele foi avisado do perigo que corria, porém, não desistiu de suas atividades pastorais e seguiu sua missão como de costume, atendendo as comunidade e os povos.

Ao retornar, em Visiquichún, aldeia para a qual ele teve que passar no meio do caminho, foi advertido novamente do perigo. E neste lugar Pe. José María disse várias coisas de grande importância: em primeiro lugar; sua decisão de voltar ao Chajul porque no dia seguinte deveria celebrar a solenidade de Corpus Christi; em seguida, ele tentou em vão dissuadir Domingo Barrio Batz que o acompanhou o resto do caminho, porque sua vida corria perigo e ele tinha uma esposa e filhos para cuidar; Domingo se recusou a deixá-lo ir sozinho; novamente advertidos por alguns comerciantes que elementos do exército os aguardados no caminho acima, padre José Maria e Domingo ajoelhou-se em oração. Dessa oração, ambos criaram forças para seguirem em frente. Logo depois os dois caíram mortos. Pe. José María com um tiro pelas costas, que lhe fez explodir o coração e Domingos com um tiro no pescoço que arrancou-lhe a cabeça. O exercito admitiu ser o autor das mortes, alegando um confronto com “guerrilheiros”. Padre José Maria tinha 36 anos.

Na ocasião do martírio o Bispo Juan Gerardi disse: “Não dê ouvidos às vozes que querem manchar este testemunho. Não deem ouvidos a aqueles que dizem que os padres deveriam ser mortos, porque eles são comunistas. Irmãos, não! Parte dessa perseguição religiosa é uma campanha de desprestigio e difamação que vêm sido vítima bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, destinadas a criar um clima de desconfiança do povo católico aos seus legítimos pastores. Para nós é especialmente significativo, dadas as circunstâncias da morte do Padre José María Gran Cirera, MSC, pastor da Chajul, um tiro nas costas, quando regressava a cavalo para levar o consolo da religião para muitos paroquianos em aldeias remotas de sua paróquia, acompanhado apenas de seu sacristão Domingo Batz, que igualmente foi morto".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Galeria dos Mártires - Pe. Sergio Restrepo Jaramillo

SERGIO RESTREPO JARAMILLO
Mártir da Libertação
COLÔMBIA * 01/06/1989

Pe. Sergio Restrepo Jaramillo, jesuíta de 49 anos, mártir da promoção humana e libertação dos camponeses de Tierralta, Colômbia. 

Assassinado na frente da paróquia de Tierralta, Córdoba, enquanto conversava com os seus colegas padres e vários leigos.

Sergio nasceu em Medellín e entrou na Companhia de Jesus aos 18 anos. Foi ordenado sacerdote em 1970, depois de trabalhar por vários anos em sua cidade natal, em 1980 ele foi nomeado pároco em Tierralta. 

Nos últimos anos, a região era um campo de ação das guerrilhas. Os traficantes de drogas, militares e mafiosos não viam com bons olhos o trabalho dos sacerdotes nas aldeias. Porém sua opção pelos pobres é clara e a sua evangelização profética incluía a crítica da organização social injusta da Colômbia. 

A paróquia de Tierralta oferece uma nova imagem da Igreja, e Sergio é a liderança. Com uma grande capacidade de comunicação, é amigo de todos. De enorme sensibilidade artística, é guardião da cultura sinú, cujas expressões foram coletadas em um museu. Enamorado da natureza, cria um parque no meio da cidade. "Todo mundo ajudou, preto e branco, policiais e costureiras, bons e malucos", disse uma senhora. 

Dois assassinos atirar-lhe no rosto e o mataram. Seu corpo cai estendido no chão. Sergio trazia uma carta escrita: "Aqui se constrói espaços para a paz". Ele foi levado para Medellin, onde bispos, sacerdotes, familiares e amigos se reúnem para despedir-se deste servidor dos pobres.

Alguns versos escrito por Sergio em seu último retiro: "Fue un navegante / varado en tierra firme. / Buscó siempre el amor / en las rutas incógnitas / de la inefable rosa de los vientos. / Creyó en la vida. / Hizo de la amistad su lema. / Su existencia fue un sueño. / Y a su muerte / devolvió a Dios su alma / y reintegró a la tierra / lo que ella le había dado: / un efímero nombre. / Y un puñado de huesos".

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada, a partir de leitura da página do Serviço Koinonia.

Galeria dos Mártires - Mercídio de Souza

MERCÍDIO DE SOUZA
Mártir da Terra
ITACAJÁ-GO * 01/06/1987

Mercídio de Souza, posseiro, assassinado na Fazenda Brejão pelo pistoleiro Baiano, a mando de fazendeiros da região, no município de Itacajá-GO, no dia 1 de junho de 1987.


Vieram cheios de sobrenomes.
As mãos seladas no aço dos fuzis
E no arame, esgotando o tempo da tolerância,
Tenso e rebelado nas rasuras da tarde.

Chegaram, estranhos, avançando
Em alvoroço para dentro de junho
Para as aclamações do sol
No foro íntimo das mulheres
Que fiavam o amanhã no vento.

Teceram as redes da violência
E extinguiram as estrelas, derrubadas.
Extinguiram a beleza e os costumes de ressuscitar.
Prenderam o dia nas gavetas, a chaves.
Criaram roupas de sacrifício,
Como se houvessem pedidos.
Desataram o som agudo da morte
Sobre os corpos, os ferros e os terrenos.
E inventaram o abismo e os desígnios de silêncio.
Separaram casas, derrubaram roças, à maneira da Ordem.
Do corpo, o teu, fizeram destroços,
Uma vasilha rasa para morrer...

Texto do Livro: Raízes, Memorial dos Mártires da Terra, de Jelson Oliveira, Ed. Loyola.