quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Memória dos 70 anos de uma terrível manhã em Hiroshima

Memória dos 70 anos de uma terrível manhã em Hiroshima
A primeira explosão de uma bomba atômica na história da humanidade aconteceu no dia 6 de agosto de 1945, uma segunda-feira. A bomba foi lançada sobre o centro da cidade de Hiroshima às 8h15 da manhã. Como o horário comercial começava às 8h da manhã, muitas pessoas foram atingidas em fábricas e escritórios. A bomba, chamada pelos norte-americanos de Little Boy, continha 50 quilos de urânio 235, com potencial destrutivo equivalente a 15 mil toneladas de TNT. O calor liberado pela bomba foi de 100 calorias/cm² no grau zero, 56 calorias/cm² a 500 metros e 23 calorias/cm² a mil metros do centro da explosão.
Nagasaki foi atingida no dia 9 de agosto, às 11h02 da manhã. Inicialmente o plano do exército americano era de jogar a bomba sobre Kokura, Fukuoka. Mas o tempo nublado impediu que o piloto visualizasse a cidade, e decidiu-se pela segunda opção. Nagasaki não era considerado um alvo ideal porque é rodeada por montanhas, o que diminuiria o poder destrutivo. A bomba, chamada Fat Boy, era de plutônio 239, com potência equivalente a 22 mil toneladas de TNT, ou seja, 1,5 vez mais potente que a bomba jogada sobre Hiroshima. Como a bomba foi jogada às pressas, sem ter um alvo definido, o centro da explosão ficou a 3 quilômetros do centro da cidade.
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é, de forma consensual, o acontecimento mais catastrófico e impactante da história humana. Essa característica torna-se compreensível na medida em que se compara tal guerra com as outras que a antecederam. Proporcionalmente, o número de mortos e o potencial de destruição das armas que nela foram empregadas são largamente superiores a quaisquer outros. De forma geral, poetas e escritores, teatrólogos, etc., conseguem apreender com maior sensibilidade fatos como esse. É o caso, por exemplo, de Vinicius de Moraes com o poema “A Rosa de Hiroshima”, que explora especificamente o tema da bomba atômica lançada sobre a cidade japonesa.
Vinicius de Moraes (1913-1980) concebeu o poema mencionado logo após os Estados Unidos lançarem a primeira das duas bombas nucleares sobre o solo japonês, em agosto de 1945. Sendo contemporâneo desse evento trágico, o poeta procurou registrar com sensibilidade o terrível impacto provocado pelo emprego dessa arma de destruição em massa contra a população civil. Das duas cidades japonesas atingidas pelas bombas, Hiroshima e Nagasaki, o poema, como o próprio título indica, trata da primeira delas.
Vejamos o poema na íntegra:
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Por meio de metáforas preciosas, Vinicius de Moares pretendeu “imortalizar” esse evento, como o próprio termo “rosa”, que, destituído de sua simbolização positiva, expressa mais de uma correspondência negativa.

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