quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Galeria dos Mártires - Agustín Goiburú

AGUSTÍN GOIBURÚ
Médico, Mártir do povo
PARAGUAI * 09/02/1977

Em 09 de fevereiro de 1977, Agustín Goiburú foi sequestrado por militares argentinos, na cidade de Paraná, Entre Ríos, por ser um dos homens mais procurado pelo regime de Alfredo Stroessner. Foi morto pela Operação Condor.

Agustín foi um destacado líder do (MOPOCO) Movimento Popular Colorado que, desde o início se opôs fortemente à ditadura de Alfredo Stroessner, que havia tomado o poder arbitrariamente após o golpe de 1954 que derrubou o então presidente Federico Chaves.

Médico que realizou sua especialização em cirurgia ortopédica no Brasil. Ao retornar ao seu país, trabalhou no Instituto de Assistência Social e da Polícia Policlínica "Rigoberto Caballero". Em 1958 denunciou abusos do regime de Stroessner, no exercício da profissão no Hospital da Polícia.

Exilado na cidade fronteiriça de Posadas, começou a ativar politicamente e organizar insurreição do exterior com o principal objetivo de derrubar a ditadura que havia sido instalado.

Em 1969, depois de uma perseguição implacável liderada pelo chefe do Departamento de Investigações, Miltiades Coronel, foi preso enquanto estava pescando nas águas do rio Paraná com seu filho Roland, como dito no livro: "En los sótanos de los generales",  escrito por Alfredo Boccia, Antonio V. Pecci, Miguel H. Lopez e Gloria Giménez Guanes.

Depois de passar um ano na prisão da 7ª Delegacia de Assunção, escapou com sucesso por  um túnel feito com suas próprias mãos, deixando em ridículo o aparato policial, temido e influente naquele tempo. 

Ele se refugiou na embaixada do Chile, depois de receber asilo do governo socialista de Salvador Allende.

Retornar para Posadas, onde é o principal ideólogo do frustrado ataque contra Stroesnner, que consistia na explosão de um carro-bomba estacionado perto da Praça do Uruguai, no momento em que passava o então presidente.

O plano de Goiburú não funcionou, uma vez que os explosivos não foram detonados para a felicidade do ditador.

Segundo disse o historiador e analista político Alfredo Boccia para ULTIMAHORA.COM, esse fato irritou Stroessner, que pediu a cabeça de quem pudesse fazer qualquer agitação contra o regime, que por sua vez estava sendo fortalecido através da ajuda econômica dos Estados Unidos em seu combate ao comunismo em plena Guerra Fria.

A perseguição contra os opositores ao regime subiu o tom, forçando o médico e sua família a fugir para a cidade de Paraná, Entre Ríos, em 1975.

No ano seguinte, instala um golpe militar que leva ao poder na Argentina Jorge Rafael Videla,  aliado ideológico de Stroessner,  dificultando ainda mais a situação dos oposição do regime no exílio. 

Foi no dia 09 de fevereiro de 1977, quando Goiburú foi sequestrado por militares argentinos e visto pela última vez. 

No dia 19 de março de 2013, foram encontrados dois corpos enterrados nas instalações do Grupo Especial e os familiares afirmam que um deles e Agustín Goiburú.

A este respeito, o seu filho Rogelio, que faz parte da Comissão Verdade e Justiça, disse que de acordo com o testemunho de um anônimo, há 20 anos, no local onde encontramos este corpo foi enterrado seu pai.

"Há 20 anos, quando estávamos escavando, uma pessoa veio até meu irmão e apontou a direção em que meu pai foi enterrado. O mesmo lugar onde encontramos esse corpo hoje", disse ele.

"Eu sei que ele está aqui, que foi executado pelo Stroessner e seu alto comando. O meu pai era um homem que realmente amava o Paraguai e vai descansar em seu país", disse ele.

Como Alfredo Boccia, opinou que se confirmasse que o corpo foi achado, isto teria repercussões internacionais e seria de um valor inestimável para a memória histórica do nosso país.

Ao mesmo tempo, ele lamentou que o Estado paraguaio havia cortado o dinheiro que seria destinado para o teste de DNA e, assim, desvendar as identidades dos restos mortais.

Finalmente, Rogelio Goiburú acusou o atual ministro das Finanças, Manuel Ferreira Brusquetti, de ser um cúmplice da ditadura Stronista, por cortar o orçamento que seria destinado para o teste de DNA e finalizar a investigação.

"Esta ação do ministro demonstra a insensibilidade e irresponsabilidade em apurar os assassinatos que cometeu Stroessner", disse ele.


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