quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. João Bosco Penido Burnier

PE. JOÃO BOSCO PENIDO BURNIER
Jesuíta Missionário, Mártir
RIBEIRÃO CASCALHEIRA – MT * 11-12/10/1976

Era a tarde do dia 11 de outubro de 1976. Duas mulheres sertanejas, Margarida e Santana, estavam sendo torturadas na cadeia-delegacia de Ribeirão Bonito, Mato Grosso, lugar e hora de latifúndio prepotente, de peonagem semi-escrava e de brutalidade policial.

A comunidade celebrava a novena da padroeira, Nossa Senhora Aparecida. E nesse dia haviam chegado ao povoado o Bispo Pedro e o Padre João Bosco Penido Burnier, mineiro de Juiz de Fora, jesuíta, missionário entre os índios Bakairi. Os dois foram interceder pelas mulheres torturadas. Quatro policiais os esperavam no terreiro da delegacia e apenas foi passível um diálogo de minutos. Um soldado desfechou no rosto do Padre João Bosco um soco, uma coronhada e o tiro fatal.

Em sua agonia, Padre João Bosco ofereceu a vida pelo CIMI e pelo Brasil, invocou ardentemente o nome de Jesus e recebeu a unção. Foi morrer, gloriosamente mártir, no dia seguinte, festa da Mãe Aparecida, em Goiânia, coroando assim uma vida santa. Suas últimas palavras foram as do próprio mestre: “Ofereço minha vida pelo CIMI..., pelo povo do Brasil... Acabamos nossa tarefa!”

Frases do Pe. João Bosco:

- “Temos que nos inculturar (no povo indígena) para poder transmitir o Evangelho e descobrir na vida dos índios os valores evangélicos; não nos desvencilhamos do nosso contexto cultural...”.

- “O essencial da vida cristã é que haja vida. Não é um “resultado”, também não é uma “semente” – é a vida daquele povo concreto informado pelo Espírito do Evangelho...”.

- “Levamos sobre nós um pecado histórico que só com o testemunho da vida poderemos superar”.

- “Não é a partir de um povo destruído que se vai a estabelecer uma missão”.

- “A encarnação já é evangelização”.

- “...Contra esses abusos da autoridade e da falsa justiça, temos que opor nossos protestos e a nossa ação pública; mesmo com o risco de ficar-nos expostos a represálias e à incompreensão das “autoridades”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

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