terça-feira, 25 de outubro de 2016

Galeria dos Mártires - Pe. Antonio Llido Mengual

Pe. ANTONIO LLIDO MENGUAL
Desaparecido pela ditadura de Pinochet
CHILE * 25/10/1974


Antonio nasceu em 29 de abril de 1936 em Xavia, Valência, Espanha. Depois de uma vida tempestuosa, pobre, mas feliz, decidiu entrar para o seminário em Valência. Após ser ordenado, serviu por um tempo como capelão das forças armadas espanhola.

Decidiu assim seguir em missão, em julho de 1969 chegou ao Chile, na chuva de inverno, vivenciando assim na própria pele como os pobres viviam.

Seu destino era Quillota, na Diocese de Valparaíso, foi trabalhar com o Bispo Don Emilio Tagle. Rapidamente com uma bicicleta caindo aos pedaços começa a conhecer o povo, tornando-se conhecido entre os mais pobres, e também causando irritação aos ricos.

Antonio estava vivendo uma vida plena, cheia de sonhos e ideais, os acontecimentos pareciam fortalecer aquilo que era proposto pelo Concílio Vaticano II.

Se junta ao grupo "80", um grupo de padres chilenos e estrangeiros posteriormente incorporado no grupo "cristãos para o socialismo" que apoiaria a candidatura de Salvador Allende, que queria alcançar objetivos sociais da Unidade Popular. Eram tempos de grande pobreza no Chile.

Seu caminho para a eternidade começou com o conflito que teve com os setores mais tradicionais da Igreja de Valparaiso, e em particular, com o seu bispo Emilio Tagle, que o suspendeu das suas funções eclesiásticas como vigário da paróquia de Quillota.

Uma vez que a suspensão foi apenas nessa paróquia, rezava missas em outras capelas, que eram mais escondido e nas casas dos necessitados. 

O grupo de Juventude formado pelo Pe. Antonio, em seguida, se vincula ao MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), foi assumindo a sua luta sem violência, mas com o compromisso social enraizada no que era conhecido como Teologia da Libertação.

O golpe militar de 11 setembro de 1973 foi sentido em Quillota, e Padre Antonio Llido era um daqueles que foram alvo por parte dos militares, estava imerso na clandestinidade, queria ficar no Chile, para defender os que não podia defender-se, os seus amigos, companheiros. Outros padres tentaram convencê-lo de que teria asilo, mas não conseguiu, seu destino estava traçado, estava a um passo para encontrar a sua cruz.

Depois de passar algum tempo escondido pela região de Valparaíso, foi detido no DINA localizado no José Domingo Cañas com a República de Israel (Santiago). Celebrou a missa para os outros prisioneiros. Foi cruelmente torturado e depois levado em péssimo estado para a prisão Quatro Alamos, localidade incomunicável de Três Alamos, que também estava no comando da DINA.

Companheiros de prisão, logo libertados são unânimes em afirmar que seu estado era grave: pancadas, descargas elétricas, insultos, etc. Apesar de tudo conservou com grande fortaleza e excelente estado de ânimo, sua característica solidária e seu compromisso com a pessoa humana, sua preocupação com os outros, onde mesmo estando em tal situação, repartia o resto de pão ou cascas de frutas com os outros prisioneiro.

Toda a sua vida foi dedicada ao povo pobre.

Carta de Antonio Llido durante sua clandestinidade

“De nuevo me veo en una situación muy especial. Yo no puedo, no quiero marcharme, cuando tantos amigos camaradas que luchan, que mueren (algunos muy cercanos a mi, han sido brutalmente asesinados) para construir una sociedad más justa. Eso es todo, y parece que es demasiado para estos señores que, como de costumbre responden con metralletas cuando exigen pan”

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

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