terça-feira, 16 de junho de 2015

Galeria dos Mártires - Massacre de Soweto

MASSACRE DE SOWETO
Mártires do Direito e da liberdade
ÁFRICA DO SUL * 16/06/1976

Hoje fazemos memória dos 39 anos do terrível massacre de setecentas crianças assassinadas em Soweto, na África do Sul, por se negarem a aprender o “afrikaans”, a língua dos brancos que comandavam o país.

Hoje é feriado na África do Sul.

O 16 de junho é uma das datas mais importantes do país. É o Dia da Juventude. A data é uma homenagem aos mortos do massacre de Soweto, que aconteceu em 1976.

Cerca de 15 mil jovens estudantes da região, que fica na periferia de Johanesburgo, saíram às ruas em plena época do apartheid para protestar contra o sistema de educação. Na época, os negros pagavam para estudar em escolas superlotadas, enquanto os brancos tinham ensino de melhor qualidade de graça. O balanço do ano anterior mostrava que o percentual de investimento do governo sul-africano no ensino de um aluno branco era 15 vezes superior ao de um aluno negro. Essa situação gerou revolta.

Mas o estopim para o levante dos alunos foi a determinação de que seriam obrigatórias aulas de afrikaans nas escolas dos negros. O idioma, que tem origem no holandês, era usado pela minoria branca e, por isso, considerado um símbolo da repressão pelos negros.

Liderados pelo jovem Tsietsi Mashinini, os estudantes protestaram com faixas e cartazes. A polícia sul-africana reprimiu a manifestação com violência. O primeiro tiro matou o estudante Hector Pieterson, de 13 anos. A foto do garoto sendo carregado por um colega ficou famosa no mundo inteiro.

Mas isso só foi possível porque o fotógrafo Sam Mzima foi astuto. Logo que percebeu que havia feito uma boa imagem, guardou o rolo do filme na meia. Quando a polícia o abordou para verificar a câmera, o filme não estava mais na máquina. Depois que a foto foi publicada, Mzima passou a ser perseguido, e teve que sair de Johanesburgo. A moça da foto foi a única que sobreviveu. É Antoinette Sithole, irmã de Hector. Ela não conhecia Mbuyisa Makhubo, o homem que carregava seu irmão e do qual nunca mais se teve notícias.

Depois do tiro contra Hector, os jovens responderam com as únicas armas de que dispunham contra as forças armadas “as pedras espalhadas pelo chão”. Cerca de 700 manifestantes morreram. O líder dos estudantes, Tsietsi Mashinini, foi exilado do país.

A crescente pressão internacional e o fortalecimento da luta pelo fim do apartheid que se seguiu acabaram culminando com a libertação de Mandela, em 1990, e as primeiras eleições multi-raciais, quatro anos depois. Hoje o bairro de Soweto é uma das atrações turísticas mais populares da África do Sul, com vários hotéis, um suntuoso estádio de futebol onde foram realizadas partidas da copa e shopping.

Foi em 1991 que, em homenagem aos mortos do massacre, a Organização de Unidade Africana (OUA) instituiu a data de 16 de junho como o Dia da Juventude. Hector Pieterson ganhou um tributo especial: um memorial na praça que leva o seu nome em Soweto. Sua irmã, Antoinette, é uma das responsáveis pelo museu.

Em 2006 tive a oportunidade de conhecer este museu e ver de perto objetos destes mártires da liberdade. Sapatos, materiais escolares, pedras, símbolos desta resistência. E sentir o tanto que é forte e presente a memória desta luta.

Nesta minha visita foi possível enxergar também a enorme contradição em que vive os ricos e os pobres, de um lado do bairro uma enorme favela e do outro lado casa suntuosas. Poderíamos até dizer que convivem pacificamente, mas as realidades são brutais, são mundos opostos os vivem pobres e ricos.

DEUS DA NOSSA TERRA, ÁFRICA – L: D. Pedro Casaldáliga / versão completamente livre de “Nkosi Sikelelei’iÁfrica”

1-     Deus da nossa terra, África,
        Pai da pátria negra,
        vem nos libertar!
        Ouve um Povo inteiro a clamar.
        Presos, somos dia!
        Mortos, seremos vida! (bis)

2-     Desce, Senhor:
        faz de nosso pranto uma festa!
        Rompe, Senhor:
        Sol da nossa terra ao sol!
        Sangue de irmãos
        banhando o nosso chão,
        lava o coração
        e vence a opressão. (bis)

3-     Meninos de Soweto, diamantes dessa dor,
        gritos de combate colhido em flor.
        Meninos de Soweto, diamantes dessa dor,
        oferenda mártir da libertação.

4-     Não segregados!
        Nunca domados! (bis)

5-     Unidos numa voz
        seremos nós África!

6-     Filhos libertos somos cantos floridos. (bis)
        Unidos numa voz
             seremos nós África!

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.

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