terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Galeria dos Mártires - Pe. Jaime León Restrepo López

Pe. JAIME LEÓN RESTREPO LÓPEZ
Mártir da Causa dos Pobres
COLÔMBIA * 17/01/1988

Jaime León Restrepo López nasceu em Unión, Antioquia em 7 de setembro de 1943. Após terminar do ensino médio no Liceo Salazar e Herreda de Medellín, ingressou no Seminário Arquidiocesano. Ai demostra uma grande visão social acentuada do Evangelho.

No ano de 1969 recebeu a ordem diaconal e foi enviado a exercer seu ministério em La Susana, município de Maceo, Antioquia.

Ordenado em 1971, ele foi nomeado pároco em Cristales. Ali fundou o Liceu, a Casa da Juventude Camponesa que atende todas as aldeias da paróquia. E o que era uma aldeia abandonada se transforma em uma comunidade de fé e solidariedade.

Depois de oito anos, ele foi transferido para La Loma, onde é ameaçado de morte. Em 1980, seu bispo o envia a Roma para estudar filosofia. Após seu retorno, foi nomeado professor na Universidade Pontifícia, e a exercer trabalho pastoral em um bairro de Medellín. Depois de obter permissão para conduzir um experimento em El Jardim: seis meses trabalhando como agricultor, rezando e estudando. Uma vivência profunda, que o confirma em sua vocação de ser pobre entre os pobres. Jaime não volta para a faculdade, onde deixou um legado imensurável por seu rigor científico, o seu testemunho pessoal e fé nos valores do Reino.

Destinado a San José de Nus, Jaime expõe ao bispo o perigo que corre sua vida ali. “Vai, e se a coisa fica realmente ruim, você me chama”, diz o bispo. Mas dar-lhe tempo. Seu martírio ai foi consumado.

Os seus amigos lembram de James: “Foi um profeta encarnado na vida de seu povo pobre ... Um profeta educador que ensinava e aprendia com os camponeses, com a juventude ... Foi um testemunho de Jesus, dos que vão mudando a história pela sua dedicação, sua generosidade, seu companheirismo ...”.

Enlutados pelo martírio de Jaime, o povo de San José de Nus, de Maceo, de Cristales vão para as ruas, não dormem a noite toda. Querem celebrar a Eucaristia em cada uma das suas igrejas, diante do corpo de Jaime. Depois o acompanha até Medellín. Ali o cardeal junto com todo o povo fazem uma procissão-romaria.

Em Jaime se cumpriu o que tinha dito tantas vezes: “Se queremos viver para sempre, devemos entregar nossas vidas para sempre”.

Abaixo alguns escritos encontrados em seu diário:

Sobre mudar as estruturas:
“Pretender mudar o mundo pode significar que se queira mudar as estruturas; estruturas políticas e sociais, para obtermos um processo humanístico”.
“Qual será a estrutura que se deva buscar para que haja ‘um mundo de paz’? São utopias que, todavia se chegue a formar a grande humanidade”.
“Comprometer-me na busca e realizações de possibilidade humanas, com tanto que tenha validez histórica. De fato, renunciar ao Eu. Tratar de viver como testemunha da Fé na vida eterna em Jesus, para mim é o fundamental”. (Setembro de 1987).

Sobre a fé:
“A fé é o espaço de consagração da Esperança dos homens, da história, do que fazem os cristãos, que devem ser testemunhas por seu compromisso, promotores do bem”.
“A fé é uma opção livre, não de necessidades; não há prova lógica, nem cientificamente contundente que poderão comprovar que é necessária seguir uma fé, em campo algum. Porém, essa fé é opção não intelectual, mas livre”.
“A fé se resulta em uma vida testemunhal, em dar sentido à existência humana”.
“A fé se entende aqui como atitude, como intento, como compromisso de vida, para que possa ser verdadeira”.
“Se compreender a fé, mas como atividade, como tarefa, como práxis, (as doutrinas são próprias para os tempos acadêmicos)”.
“O Evangelho não é doutrina, nem lógica. Se centra em Jesus, em sua história, (não em sua inteligência, ou seu sistema), em sua presença... e que presença!”.
“... a fé como compromisso, porém, aberta ao mundo e a história. Ante tudo é a palavra que problema: ‘Paz aos homens de boa vontade’”.

Sobre o Testemunho: 
“Alguém disse que a novidade está no espaço da história; portanto, é necessário viver com sentido de liberdade, ou seja, lançando-se no espaço da novidade; isto seria fidelidade ou responsabilidade história”.
“Por outro lado, também se diz que a grandeza está no que é simples, não no que é notório, nas pequenas coisas; neste sentido, se trata de viver o básico como fundamental, ser testemunha”.

Sobre Profetismo: 
“Eu creio que sempre quis ser Profeta; e me interessa muito ser, porém, entendo que Profeta tem relação com o Todo; se trata de crer no mundo, na vida, nos homens e mulheres; buscar manter a possibilidade de ser para o mundo presença de uma essência transformadora; de viver dimensões de aventura, ali onde a ‘proposição’ não diz nada aos homens, mas o Testemunho sim é linguagem inevitável”.
“O assunto do profetismo tem relação com todo o projeto positivo de ser testemunha; de encontrar sentido em uma vida de serviço e doação aos irmãos e irmãs”.
“O profeta faz aparecer a dimensão do infinito e de esperança em meio as estruturas desumana”.

Sobre o sacerdócio: 
O sacerdócio me da muita força e convicção de que minha vocação é tratar de ser instrumento através do qual se pode consagrar a esperança, porque creio que a gente, neste momento histórico, sirva para despertar a consciência sobre o sentido da fé e de uma vivencia cristã, que seja uma presença testemunhal do próprio Jesus; presença desinteressada, que compreende o valor da pessoa”.
  
Sobre o Compromisso Político: 

"Não é ficar a margem da luta partidarista ou revolucionária por medo ou por impotência. É colocar-se mais além dessas lutas, como um serviço histórico; é conscientizar-se frente a toda pretensão absolutista (é como se fôssemos inimigos de todos). É a maneira de ser fiel ao povo”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada,
a partir da página: http://servicioskoinonia.org/martirologio/ e pesquisa na internet.

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